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Brasil

Luís Carlos Piestchman se destaca como um dos homens mais ricos da política brasileira

Foto: oaquiri.com

por Redação Rondônia Hoje

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Luís Carlos Piestchman, que agora se assina Pitiman, começou a carreira política no Acre e hoje desponta como um dos homens mais ricos na política em Brasíia

A informação de que o candidato a vice-governador do Distrito Federal é um velho conhecido do Acre, anunciada na semana passada, reabriu antigas feridas na política local, em relação a uma história até hoje mal contada ou contada apenas segundo a versão dos interessados em que a história real nunca venha de fato à tona: a morte do governador Edmundo Pinto de Almeida Neto, assassinado num quarto de hotel no centro de São Paulo Capital, em maio de 1992.

A história da candidatura chamou atenção dos acreanos não só pelo nome do candidato, Luis Carlos Piestchman – ou Pitimam, como agora ele é conhecido,  mas, e principalmente, pela quantia de dinheiro que o cidadão, que já foi deputado federal pelo Distrito Federal, no período de 1º de fevereiro de 2011 a 31 de janeiro de 2015, declarou à Justiça Eleitoral: um patrimônio superior R$ 26,2 milhões.

Nada mal para um homem que deixou o Acre, em 1992, literalmente em lágrimas e afirmando ter perdido um pouco da própria vida com a morte de Edmundo Pinto, a quem ele servira, durante um ano e dois meses, como chefe do Gabinete Civil. Aliás, Pìestchman ou Pitimam, como ele se assina agora, era um dos assessores do governador que o acompanhava naquela viagem a São Paulo e também era um dos hospedes que dormiam nas mesmas dependências do Della Volpi Gardem Hotel, no centro da capital paulista, onde o governador era assassinado naquela madrugada de 17 de maio de 1992, um domingo, num crime misterioso ou não suficiente esclarecido até hoje, 34 anos depois.

Alarmada com a quantia de dinheiro anunciada pelo candidato a vice, mas sem fazer referência ao passado do candidato ou ao que aconteceu nos verões passados, a imprensa na Capital Federal trouxe o assunto à tona ao revelar que, ao registrar sua candidatura ao governo do DF, o ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal José Roberto Arruda, que também não é boa bisca, declarou – enquanto o vice de sua chapa anunciou os mais de R$ 26 milhões – possuir só  R$ 830 mil. Do total, segundo Arruda, R$ 198 mil correspondem à participação no capital social de uma empresa. Ele também informou um apartamento em Brasília, avaliado em R$ 195,3 mil, e uma casa em Itajubá (MG), no valor de R$ 195 mil.

A relação de bens inclui ainda dois apartamentos em Itajubá, declarados por R$ 19,4 mil e R$ 67 mil, além de um Volkswagen Gol 2010/11, avaliado em R$ 31 mil.

Arruda informou ainda R$ 30,4 mil em conta corrente e R$ 40 mil em crédito em empresa. As duas cadernetas de poupança somam R$ 54,2 mil, sendo R$ 4,7 mil em uma e R$ 49,5 mil na outra.

Em 2006, quando foi eleito governador no primeiro turno, Arruda declarou R$ 598 mil em bens. Em 2014, quando tentou novamente disputar o cargo e foi considerado inapto pela Justiça Eleitoral, declarou R$ 1,5 milhão.

Condenado a devolver R$ 595 milhões aos cofres públicos, Arruda acumula seis decisões desfavoráveis por improbidade administrativa em segunda instância e foi condena,do a ressarcir R$ 595 milhões aos cofres públicos, em valores atualizados. O valor ainda não foi pago.

As condenações estão relacionadas à Operação Caixa de Pandora, que revelou um esquema de corrupção envolvendo o então governador, deputados distritais e empresários, com desvios de recursos públicos e pagamento de propina entre 2006 e 2009. Na época, Paulo Octávio (PSD) era vice-governador. Em 2026, ele é candidato ao Senado pelo Distrito Federal.

Servidor de carreira, Arruda ascendeu a postos de chefia na administração do Distrito Federal antes de ingressar na política, como senador, deputado federal e governador. No entanto, sua vida política foi para lá de tumultuada: em 2001 foi obrigado a renunciar após escândalo de adulteração do painel de votação do Senado, quando atuou ao lado de Antônio Carlos Magalhães e, em 2010, pela descoberta de um grande esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, conhecido como mensalão do DEM.

No decurso das investigações, Arruda foi preso preventivamente, tornando-se o primeiro governador do Brasil a ser encarcerado durante o mandato. Ele foi afastado do governo por ordem do Poder Judiciário, e ficou preso de 11 de fevereiro a 12 de abril de 2010 na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Em 16 de março teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) por infidelidade partidária e ainda foi preso suspeito de de participar de um esquema de propina de 900 milhões de reais na obra do Estádio Mané Garrincha para a Copa do Mundo da FIFA de 2014.

Em 20236, ainda inelegível, Arruda tenta viabilizar uma candidatura com base nas alterações promovidas na Lei da Ficha Limpa, que estão em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo que também espera o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, que é candidato ao  Senado pela coligação União Brasil.

Já a lista de bens de Luis Carlos Piestchman inclui até aites de luxo ancorados no Lagoa Paranoaá a outros bens volumosos a se perder de vista.

 

 

Antes de ser eleito governador, Edmundo Pinto pelo menos meia dúzia de eleições e comprava sua história de  Abraham Lincoln, o 16º presidente dos EUA

 

Governsador Edmundo Pinto fez de Piestchman seu chefe de gabinete civil quando o rapaz mal havia completado 29 anos de idade

Para se entender as ligações de Luís Carlos Piesctchman com o Acre é preciso conhecer parte do passado ou da própria história política acreana. A história de Edmundo Pinto na política do Acre se confunde com a de outro personagem não menos conhecido dos acreanos: o grandalhão Hildebrando Pascoal Nogueira Neto, coronel PM reformado da Polícia Militar do Acre, deputado estadual no período de 1994 a 1998 e deputado federal cassado e preso em setembro de 1999. Consta que, contemporâneos na juventude, o sempre grandalhão e mais velho Hildebrando Pascoal e o gasguito e aparentemente frágil Edmundo Pinto resolviam suas desavenças nos goiabais da localidade que hoje é conhecida como Rabo da Besta, na zona urbana do bairro Quinze, em Rio Branco, na base da porrada. O filho do cearense Pedro Veras de Almeida e da professora Angelina de Almeia sempre levava a pior nos embates. Um dos filhos mais velhos do agricultor Cosmo Bandeira e da dona de casa Amoty Pascoal, Hildebrando já fazia o estilo daqueles que não levavam desaforo para casa e seguiam a filosofia do velho Cosmo Bandeira segundo a qual, filho seu, se brigasse e apanhasse na rua, apanharia de novo em casa.

Pedro Veras, que morreu em maio de 2011, dois dias após o aniversário de 19 anos da morte de Edmundo Pinto, contava que, por volta dos cinco anos de idade, aquele filho cujo nome foi dado em memória de seu pai, surpreendeu toda a família ao responder a pergunta sobre o que seria quando crescesse.

O menino teria dito, na lata, que ia ser governador.

A profecia se cumpriria em 1990, 32 anos depois, quando Edmundo Pinto foi eleito numa acirrada disputa de segundo turno com o petista Jorge Viana. Malufista convicto, ele se torna governador numa carreira política meteórica. Foi eleito vereador na Capital m 1982, em 1986 deputado estadual  e, nas eleições de  em 1990, menos de quatro anos depois, materializaria aquela profecia feita quando ainda era criança. Mas, antes dessas vitórias, perdera pelo menos uma meia dúzia de eleições, para vereador e deputado estadual, além de uma derrota amarga para a Associação dos Motoqueiros do Acre.

Tantas decepções eleitorais, no entanto, nunca o abateram. A cada derrota, ele justificava disposição para uma nova candidatura citando Abraham Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos, que foi eleito para o cargo mais importante da história da democracia universal depois de fracassar nos negócios privados e   também depois de perder várias outras eleições.

O homem que conduziu os EUA num dos momentos mais sangrentos e dramáticos de sua história – a Guerra de Secessão,  que causou um total de mortes estimado em 970 mil pessoas, dos quais 620 mil eram soldados, o equivalente a 3% da população norte-americana na época -, foi parado com um tiro na cabeça disparado à queima roupa por John Wilkes Booth, um ator que interpretava Shakespeare e que no caso assumiu o papel dos americanos sulistas inconformados com as ideias abolicionistas de Lincoln, o primeiro presidente norte-americano assassinado no exercício do mandato – os outros foram James A. Garfueld, morto em 1871, e, 20 anos Willian Mc Kinley, e John Kennedy. Em novembro de 1963.

Lincoln morreu em abril de 1865.

 

Hildebrando Pascoal foi um oficial PM preso pelo governador e seu amigo de adolesc\~encia no Bairro Quinze

Um ex-amigo no caminho que tendia pelo nome de Hildebrando Pascoal –Eleito governador, Edmundo Pinto vai trombar, já nos primeiros meses de Governo, com seu vice-governador Romildo Magalhães, morto em julho de 2024. Entre os aliados do vice-governador constava um em especial, o então tenente-coronel Hildebrando Pascoal, um homem de voz e pulso forte com braços de longo alcance de muitos homens à sua disposição no comando do policiamento da capital e do interior. Mesmo sendo obrigado, pelos princípios da disciplina da hierarquia, a manter obsequioso silêncio em relação às coisas da política, o tenente-coronel Hildebrando Pascoal, que não escondia de ninguém o desejo de entrar de fato para a política partidária, vivia a dar palpites na administração do governador Edmundo Pinto. Irritado e também pressionado por amigos e aliados com as descabidas intromissões, na condição de comandante-em-chefe da Polícia Mikitar, o governador é compelido a determinar a prisão do polêmico oficial, mesmo em se tratando de seu amigo do bairro Quinze e do Rabo da Besta. Como a lei de organização das policiais militares de todo o país diz que oficias não podem ser encarcerados mesmo quando estão sob punição severa, Hildebrando passava o dia na frente do QG da Polícia Militar, situado a poucos metros do Palácio Rio Branco, a sede do governo estadual, fardado e armado, fazendo discursos contra o governador Edmundo Pinto, Essas rápidas mas ruidosas manifestações atraiam sempre um grande público. Numa delas um dos atraídos foi ninguém menos que o vice-governador Romildo Magalhães, ja identificado com adversário do governador e que se solidarizou com o oficial rebelado Hildebrando Pascoal por sua “prisão arbitrária”.

Ironia ou não, as coincidências entre o governador Edmundo Pinto e o presidente Lincoln, que pareciam um tanto forçadas pelo governante acreano, foram além  das seguidas derrotas eleitorais e da tragédia pessoal em comum. A sociedade norte-americana convive até hoje com a suspeita de que Lincoln foi vítima  de uma conspiração tramada na própria Casa Branca, inclusive com a anuência da então primeira-dama Maia Tood. Também, em todo o Acre e em boa parte do Brasil, ninguém se convence de que Edmundo foi vítima do azar em reagir a um assalto comum praticado por bandidos pés de chinelo que teriam agido com supostas ajudas de funcionários corruptos do Dela Volpi Garden Hotel, os quais teriam propiciado aos bandidos a posse de cópia da chave-mestra dos apartamentos. Os bandidos então teriam assaltado hospedes de forma aleatória.

De acordo com esta versão, o governador assassinado dera o azar de estar em local errado e em horário mais errado ainda.

Porque Edmundo Pinto vai morrer – Era 17 de maio de 1992, um domingo, como já dito. O então locutor da Rede Globo Galvão Bueno, que transmitia corrida de Formula 1 do Grande Prêmio de Mônaco, noticiou ainda de madrugada naquele dia que o governador do Acre  havia sido assassinado, com dois tiros de revólver, numa das suítes do Della Volp Gardem Hotel, na Rua Frei Caneca, no centro de São Paulo.

Uma semana antes desses acontecimentos, o senador Esperidião Amim (PP-SC) ficou hospedado na mesma suíte enquanto esperava o instante em que participaria de um programa da TV com o sugestivo nome de “Vamos Sair da Crise”. O político catarinense, até hoje no mandato, chegou a comentar, após a morte do correligionário Edmundo Pinto, ter ficado impressionado com a segurança do hotel, segundo confidenciaria ao colega Pedro Simon, senador pelo MDB do Rio Grande do Sul.

O então presidente da República, Fernando Collor de Melo, só ficaria sabendo da morte às 8h30min daquele domingo, quando participava de uma reunião com membros de seu governo, O então ministro da Justiça, Célio Borja, passou a acompanhar a investigação para manter o presidente informado. Por isso, foi Collor que comunicou oficialmente o assassinato à mulher do governador, a então primeira-dama Fátima Almeida, que se encontrava em Rio Branco. A viúva revelou depois que não sabia da presença do marido em São Paulo naquele dia.

A Polícia Civil de São Paulo começou a investigação com a suspeita de crime com conotação política. O então delegado-chefe da divisão de homicídios da Polícia Civil de São Paulo, Nelson Guimarães, chegou a trabalhar com essa hipótese, que era reforçada em Brasília pelo então diretor do Departamento de Polícia Federal, delegado Romeu Tuma. E motivos para isso não faltavam: o governador iria depor, na segunda-feira 18 de maio, em Brasília, na CPI do Congresso Nacional que investigava desvios de dinheiro público em obras públicas com valores superfaturados no país.

 

Pitiman já foi deputado federal e candidato a governdor do Distrito Federal e agora é candidato a vice-governador: um homwm de 26 milhçoes

O Acre estava no olho do furacão naquele momento porque o Governo do Estado havia aberto licitação pública, vencida pela Construtora Norberto Odebrecht, para a construção do chamado Canal da Maternidade, um esgoto a céu aberto de 12 quilômetros de extensão que cortava o primeiro distrito da Capital Rio Branco e que seria construído pela quantia elevada já para os padrões da época de 120 milhões de Dólares. Dólares norte-americanos!

Na época, embora ainda não se soubesse muito sobre as atividades do empresário alagoano Pulo César Farias, o PC, o ex-tesoureiro da campanha milionária de Fernando Color de Mello, o avião a jato em que ele cruzava os céus do país e do mundo, tinha o sugestivo nome de “Morcego Negro” e já havia sido visto taxiado no aeroporto “Presidente Médice”, em Rio Branco, pelo menos em duas oportunidades. Seus ocupantes, entre os quais o então deputado federal Vitório Malta, primo da então primeira-dama Rosane Collor, chegaram a ser recebidos no Palácio Rio Branco em audiência privada articulada pelo então chefe do gabinete civil Luis Carlos Piestchman.

O homem que chegou ao Acre trepado em carroceria de caminhões ganha o apelido de “Lagartixa” – É aqui que começa a incrível história do mais novo multimilionário da política em Brasília. Paranaense, nascido numa família de poucas posses do interior do Estado do Sul, ele chegou ao Acre no início dos anos 80, como técnico encarregado de instalar uma torre de emissora de TV. Assim que ele se integrou de fato ao Acre, após erguer a antena de TV, passou a trabalhar numa gráfica pertencente ao então empresário Zamir José Teixeira, um ex-vereador pelo município paranaense de Campo Mourão e que sonhava ser senador da República pelo Acre. Para viabilizar seu sonho, anunciava que iria construir uma ferrovia ligando o Brasil ao Peru, através da região do Juruá. Menos megalomaníaco, Luis Carlos Piestchman tocava uma gráfica a qual havia melhorado dotando-a de novos equipamentos a qual dera o nome de Estrela, situada na Avenida Antônio da Rocha Vian, na Vila Ivonete, em Rio Branco. Para os mais íntimos da época, o homem de sobrenome alemão atendida pelo apelido e “Largatixa”, uma referência a forma como ele teria chegado ao Acre, de carona em sobrecargas de caminhões. Um exagero, é claro.

Um chefe de gabinete civil cm mal completados 28 anos de idade – Mas ele decidira adotar o Acre como sua terra. Após a campanha eleitoral de 1990, já na condição de empresário do ramo gráfico, Piestchman assume o governo do Acre junto com o governador Edmundo Pinto, com seu chefe de gabinete civil. Secretário de Estado com mal completados 28 anos de idade, o rapaz se torna uma espécie de braço direito do governador ao ponto de chegar a ser cogitado como candidato a prefeito da Capital nas eleições municipais de 1992 e também passou a ser o principal operador político do Governo do Acre em Brasília na renhida luta para a liberação de verbas federais, inclusive aquela quantia nada desprezíveis dos 120 milhões de dólares para a construção do Canal da Maternidade.

Quando de uma CPI da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para investigar denúncias de corrupção no governo do Acre na época, ao ser inquirido pelo então relator João Correia, deputado líder do MDB e das oposições, sobre que tipo de mágica o então chefe do gabinete civil operava em Brasília para conseguir a liberação de verbas tão significativas para um Estado pobre e isolado como o Acre, Luis Carlos Piestchman não se fez de rogado:

– Eu sei o caminho das pedras, deputado – respondeu, sem piscar os olhos verdes que em alguns momentos levaram-no a ser comprado, por algumas moiçolas interesseiras, ao então imberbe Brad Pit, ator norte-americano e que já fois listado como a perfeição masculina em matéria de beleza.

Mas as investigações da CPi sobre as atividades de Piestchman sobre possíveis irregularidades no Governo do Acre não puderam ir adiante. Documentos e o próprio prédio-sede da Aleac foram incinerados dias antes do assassinato do governador num incêndio de origem insuficientemente explicada. Outro fato estranho: o então ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, curador do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), a quem caberia a liberação e financiamento dos recursos para a obra do Canal da Maternidade, dias antes fora gravado confessando ter recebido 30 mil dólares como propina para liberar “ a construção de uma vala lá no Acre”.

Magri já era famoso no país por ter cunhado a expressão “imexível” para designar um ministro forte no cargo e também por ter sido pilhado levando ao veterinário, em carro oficial do Ministério, uma de suas cadelas de estimação, a qual, na hora de justificar a carona, ele dissera que a cachorra também era um ser humano.

Mas, confusões e zoofilia à parte, em São Paulo, a Polícia Civil, sempre seguindo ordens do então governador Antônio Fleury Filho, um ex-promotor de Justiça que também fora secretário de Segurança Pública de seu padrinho político, o ex-governador Orestes Quercia, acabaria levando a polícia judiciária a estabelecer que o assassinato do governador do Acre fora um crime comum, “mesmo havendo “fortes tendências de crime político”, como definiria o delegado  Nelson Guimarãess. A hipótese de latrocínio se justificaria, segundo a polícia paulista, pelo fato de terem desaparecido cerca de 500 mil cruzeiros, a moeda da época, do apartamento que o governador ocupava.

Os mesmos criminosos, segundo ainda a justificativa policial para o crime de latrocínio, roubaram 1.500 Dólares de um tal John Franklin Jones, executivo do banco norte-americano Northeast, que era hospede do apartamento 714 e, ao que tudo indica, ainda hoje uma figura merecedora de um estudo de caso. Consta que o executivo foi amarrado pelos assaltantes com fios de aparelhos de telefones e, mesmo assim, conseguiu fazer uma ligação, para os Estados Unidos, utilizandl, por incrível que possa parecer, os dedos dos pés.

A ironia não pararia por aí: foi graças ao telefonema de mister John Franklin Jones que a polícia brasileira foi avisada, dos Estados Unidos, pelo FBI, a polícia federal  americana, do assalto que estava ocorrendo no Brasi.

Encontrado o corpo do governador, o cidadão norte-americano sumiu como se o mundo o tivesse engolido.

Ancião Pedro Veras já apontava para crime político – É por tudo isso que o ancião Pedro Veras de Almeida, mesmo sem apontar nomes ou provas para suas suspeitas, apoiando-se apenas na bengala que o tornou ainda mais velho desde o dia em que teve que sepultar o filho governador, dizia não ter dúvidas de que a morte de Edmundo Pinto foi um crime político. Suas declarações faziam parte de um coro que inda hoje não quer calar em todo o Acre.

E não por acaso: naquela noite trágica na capital paulista, véspera da viagem para depor em Brasília, o governador dormia numa suíte vizinha a três outros quartos ocupados por executivos da construtora Norberto Odebrecht, a empresa que deveria realizar a obra sob suspeição no Acre. No mesmo andar, também dormiam, em quartos separados, assessores do governador, incluindo Marcos Wisman, tenente-coronel da Polícia Militar, o já citado Luis Carlos Piestchman, e os engenheiros Gilson Mascarenhas e Vandervan da Silva Rodrigues, um homem que também seria assassinado em Rio Branco menos de três anos depois dos acontecimentos em São Paulo.

No hotel de luxo ninguém ouviu o barulho da luta corporal e de seu executor ou executores tampouco os estampidos dos dois tiros cujas balas se alojaram no corpo do governante. Os registros da luta de Edmundo Pinto pela própria vida ficaram gravados na boca do governador, que tivera um dente quebrado e vários hematomas pelo corpo, além dos dois ferimentos à bala. Mas o barulho não foi ouvido nem mesmo pelo homem cujo dever e responsabilidade era cuidar das integridade física do governador.

Em depoimento à polícia durante as investigações do crime, o ajudante-de-ordens Marcos Wisman atribuiu a falha de sua audição ao volume da TV, que transmitia um filme cujo nome e enredo o militar não se lembraria.

Era um cinéfilo o coronel. Naquela mesma noite, horas antes da tragedia, o coronel Wismn, Piestchman e Edmundo Pinto viram, num cinema localizado nos arredores do hotel, o filme “O Cabo do Medo”, no qual o ator Robert de Niro interpreta um psicopata que sai da prisão e parte para um acerto de contas com o advogado que não o defendeu corretamente, permitindo sua condenação com toda a sorte de castigos impostas aos condenados por crimes de caráter sexuais.

No filme da vida real, Luis Calos Piestchman, diante das câmeras de TV, chora desesperadamente a morte do amigo governador. Um ator perfeito, quase de fato um Brad Pit, diziam seus adversários. Aliás, no afã de tornar palatável seu sobrenome, caso viesse de fato concorrer ao cargo de prefeito de Rio Branco naquele ano de 1992, ele e seus estrategistas de marketing haviam aportuguesado o alemão para o brasileiríssimo Pìtiman. Teatro ou não, Piestchman ou Pitiman desaparecera do Acre logo após o enterro de Edmundo Pinto e só reaparece quando foi eleito deputado federal, em 2010. Após a eleição, o deputado torna-se candidato ao Governo do Distrito Federal pelo MDB, em 2014. Fica em terceiro lugar naquela disputa.

Após a derrota, submergiu por um tempo e agora reaparece como o mais novo milionário brasileiro, dono de várias empresas em vários segmentos da vida nacional.

De fato, Piestchman ou Pitimam realmente parece saber o caminho das pedras em Brasília,

Texto de Tião Maia, publicado originalmente em Oaquiri.com.

Classificação Indicativa: Livre

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