Expedição investiga biodiversidade no alto da Serra do Aracá, AM
por Redação Rondônia Hoje
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Uma expedição científica na Serra do Aracá, no estado do Amazonas, está em andamento com o objetivo de investigar a biodiversidade da região. O grupo, composto por 16 cientistas de diversas instituições, busca coletar o maior número possível de espécimes da fauna e flora locais, além de amostras de água, solo e sangue de espécies que existem exclusivamente no local. A expedição é considerada um dos maiores esforços de prospecção de biodiversidade já realizados em montanhas isoladas do extremo norte do Brasil.
A pesquisa é liderada pela entomologista Gabriela Procópio Camacho, que, mesmo com um foco em formigas, passou horas coletando insetos em troncos de árvores caídos. “Essa é uma oportunidade única de coletar. Por isso, quero poder amostrar a maior parte dos insetos que eu conseguir para aproveitar ao máximo a viagem”, afirmou a pesquisadora, que destina suas coletas ao acervo biológico do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP).
A expedição, financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), conta com apoio logístico e de segurança do Exército Brasileiro. Além da USP, estão envolvidos o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e instituições internacionais como a Universidade de Toulouse e o Jardim Botânico do Missouri.

Os pesquisadores enfrentaram desafios desde o início da jornada, que começou em São Paulo, com escalas em Manaus e Barcelos. O campo-base da expedição está a 1.260 metros de altitude, em um tepui, a 220 km ao norte de Barcelos. Para a botânica, o planejamento começou no laboratório, onde consultaram listas históricas de espécies e repositórios digitais para se preparar para as coletas.
Nos primeiros cinco dias, as botânicas coletaram mais de 100 espécimes, destacando populações de canela-de-ema e orquídeas terrestres. “Essas plantas vão ser tombadas no Inpa e depois serão disseminadas para outros herbários no Brasil e no exterior”, explicou Vania Nobuko Yoshikawa, pesquisadora do Inpa.
Os ornitólogos também estão ativos, capturando aves no início da manhã, enquanto os herpetólogos realizam coletas noturnas, registrando diversas espécies de anfíbios e lagartos. A primeira semana trouxe surpresas, como a captura de um beija-flor da espécie Colibri delphinae, não registrada anteriormente nas expedições de áreas próximas.
A diversidade de métodos de coleta e a dedicação dos cientistas revelam a importância deste projeto para o conhecimento da biodiversidade na Serra do Aracá, um ecossistema de altitude que abriga espécies diferentes daquelas encontradas na planície amazônica.








