Déficit nas contas públicas deve chegar a R$ 81 bilhões, aponta governo
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por Redação Rondônia Hoje
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O governo federal anunciou uma revisão negativa nas expectativas do déficit das contas públicas, que pode atingir quase R$ 81 bilhões. A deterioração da situação fiscal ocorre poucas semanas após o Palácio do Planalto ter informado um reajuste de aproximadamente 15% no Bolsa Família, uma medida que terá um impacto fiscal significativo.
Esse aumento no benefício acarreta um custo estimado de R$ 6 bilhões para 2026 e mais de R$ 20 bilhões para o ano que vem. O analista de Economia Gabriel Monteiro ressaltou que, na ocasião do anúncio do reajuste, o governo esperava conseguir uma margem fiscal para suportar essa despesa. Segundo Monteiro, a expectativa era que esses R$ 6 bilhões fossem absorvidos no Orçamento devido a uma redução nas despesas com a Previdência Social e benefícios do INSS, prevendo uma economia de R$ 15 bilhões.
Entretanto, Monteiro explicou que essa folga fiscal foi rapidamente consumida por novas despesas, como um aumento de R$ 20 bilhões em créditos extraordinários para subsídios de combustíveis e os R$ 6 bilhões referentes ao Bolsa Família, além de outros R$ 15 bilhões que também impactaram o orçamento. Para complicar ainda mais a situação, a projeção de arrecadação com impostos foi reduzida em R$ 6 bilhões em comparação com as estimativas de dois meses atrás.

“O rombo fiscal piorou, a situação das contas públicas está mais crítica do que na análise anterior, e a margem liberada por conta dessas receitas menores foi ocupada por novas despesas”, afirmou Monteiro.
Sobre a meta fiscal, a equipe econômica do governo acredita que conseguirá atingir o objetivo deste ano, com um resultado primário previsto de zero. “Nem superávit, nem prejuízo”, disse Monteiro. No entanto, ele alertou que essa meta se baseia em um conjunto de exceções que ultrapassa R$ 67 bilhões.
Monteiro também destacou que a dívida pública brasileira deve aumentar, pois esses gastos não desaparecem apenas porque não estão contabilizados para o cumprimento da meta fiscal. Ele classificou a condução da política fiscal no país como “muito ruim”, uma vez que o déficit projetado para 2023 é igual ao do ano anterior e superior ao de 2024.
De acordo com cálculos da Instituição Fiscal Independente, citados pelo analista, seria necessário um superávit efetivo superior a 2% do PIB para conter o crescimento da dívida pública. “Estamos muito longe desse cenário se continuarmos a lidar com a situação dessa forma”, concluiu.
Com informações de Brasil.








