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Brasil

Governo deve ajustar orçamento em R$ 22,7 bilhões para Bolsa Família

Governo terá que realocar novo orçamento para reajuste do Bolsa Família

Foto: Brasil (cnnbrasil.com.br)

por Redação Rondônia Hoje

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O reajuste do Bolsa Família, anunciado em 17 de outubro, implicará um custo adicional de aproximadamente R$ 22,7 bilhões para o ano de 2027. Para acomodar essa despesa, o governo precisará ajustar a proposta orçamentária já enviada ao Congresso.

Durante o programa CNN 360º, o analista de economia Gabriel Monteiro ressaltou que a situação orçamentária para 2027 é especialmente desafiadora. Ele detalhou que, para o ano de 2026, o impacto do aumento do benefício de R$ 600 para R$ 691 será de R$ 5,8 bilhões, quantia considerada mais fácil de ser gerenciada. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que há margem fiscal para o aumento, indicando que os recursos devem ser redirecionados a partir de sobra de despesas, principalmente na Previdência Social.

Monteiro também mencionou que o relatório bimestral de receitas e despesas, a ser divulgado em 24 de outubro, poderá esclarecer melhor a situação financeira do governo. A possibilidade de uma despesa menor com recursos previdenciários, como já observado em relatórios anteriores, poderia abrir espaço para o reajuste do Bolsa Família em 2026.

No entanto, a situação se torna mais complicada para 2027. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) já contempla um custo de aproximadamente R$ 157 bilhões para o programa, sendo que o reajuste exigirá um adicional de R$ 22 bilhões, elevando o total para mais de R$ 179 bilhões. Para lidar com esse aumento, o governo terá duas opções: redirecionar verbas de outros ministérios ou agências, ou criar novas receitas.

Monteiro advertiu que, se não houver realocação orçamentária, o superávit previsto de R$ 18 bilhões para 2027 poderá se transformar em um déficit de cerca de R$ 4 bilhões. Ele enfatizou a necessidade de o Brasil demonstrar uma melhora gradual nos resultados primários para controlar a dívida e manter a taxa de juros estável.

O anúncio do reajuste impactou imediatamente o mercado financeiro. A Bolsa de Valores, que operava entre 185 mil e 186 mil pontos, caiu cerca de 3 mil pontos após a divulgação. O dólar também subiu, passando de R$ 5,15 para R$ 5,17. No entanto, após o governo esclarecer que a realocação viria de cortes nas despesas previdenciárias, os mercados se recuperaram.

Além do aspecto fiscal, o reajuste do Bolsa Família pode ter implicações eleitorais, favorecendo o presidente Lula entre a população de baixa renda, que, segundo pesquisas, tem mostrado uma diminuição no apoio ao governo. Monteiro comentou que essa medida pode aumentar a popularidade de Lula, influenciando as eleições previstas para o final deste ano. Entretanto, a reação do mercado financeiro não necessariamente indica apoio a um candidato específico, mas reflete a expectativa de uma política fiscal alternativa à atual.

Com informações de Brasil.

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