Diretor de ‘Dark Horse’ comenta orçamento e investigações sobre filme
Foto: Cine Pop (cinepop.com.br)
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A polêmica em torno do financiamento da cinebiografia ‘Dark Horse’, que retrata Jair Bolsonaro e é estrelada por Jim Caviezel, ganhou novos contornos com as declarações do diretor Cyrus Nowrasteh. Ele afirmou que o custo real da produção é significativamente inferior aos US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, que circularam na mídia.
Em uma publicação nas redes sociais, Nowrasteh criticou as comparações entre o orçamento de ‘Dark Horse’ e filmes de maior sucesso, ressaltando que os números divulgados estão inflacionados. Segundo o diretor, muitos desses valores incluem custos projetados de marketing, que nos Estados Unidos são separados do orçamento de produção. “Os custos de produção deste filme foram menores que a maioria, se não todos, dos filmes listados”, disse ele.
As declarações do diretor se tornam ainda mais relevantes diante de informações anteriores que indicavam uma negociação de até US$ 24 milhões para financiar o projeto, com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, atuando diretamente na captação de recursos. Documentos revelaram que pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.
A discrepância entre o custo anunciado e o efetivo levanta questionamentos sobre o destino do restante dos recursos. Embora Nowrasteh tenha afirmado que parte das cifras corresponde a marketing, as investigações em andamento pela Polícia Federal buscam esclarecer a movimentação dos recursos. A PF identificou, por exemplo, US$ 12,3 milhões enviados ao fundo Havengate Development Fund LP em 2025.
Os relatos de dificuldades financeiras durante as filmagens também foram destacados. Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostraram que Flávio Bolsonaro expressou preocupação com os pagamentos a Jim Caviezel e demais profissionais envolvidos, indicando que a produção estava “no limite” em relação a aportes necessários.
A investigação da PF está focada em suspeitas de desvio de recursos públicos, incluindo um repasse de R$ 750 mil à Go Up Entertainment, produtora de ‘Dark Horse’. Embora não haja confirmação de que esses valores sejam oriundos de emendas parlamentares, as coincidências levantaram bandeiras vermelhas para as autoridades.
Outra revelação recente diz respeito a uma perícia privada que apontou um gasto de R$ 20,9 milhões na produção no Brasil, enquanto a maior parte dos recursos teria sido utilizada em despesas no exterior. Esses números, no entanto, não batem com os dados que a Polícia Federal está analisando.
Um desafio adicional para a investigação surgiu com a recusa de Michael Brian Davis, sócio da Go Up nos Estados Unidos, em fornecer documentos contábeis e fiscais à PF brasileira. Ele afirmou que só entregaria as informações mediante uma ordem judicial dos EUA.
Com a estreia de ‘Dark Horse’ se aproximando, o filme se tornou o foco de uma investigação que envolve questões financeiras complexas, políticos e empresários. Nowrasteh reafirma que a produção não recebeu a quantia que circula publicamente, e a expectativa agora é que as investigações esclareçam a real movimentação dos recursos e possíveis irregularidades em seu financiamento.





