Cachaça celebra seu dia, mas exportações ainda são baixas
Foto: Brasil (cnnbrasil.com.br)
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Neste domingo, 13 de agosto, é celebrado o Dia Nacional da Cachaça, uma bebida que possui forte ligação com a cultura brasileira, mas que ainda enfrenta desafios significativos no mercado internacional. Apesar do crescimento no Brasil, onde a produção de cachaça atingiu 234,4 milhões de litros em 2025, as exportações continuam a representar uma fração modesta, com apenas 7,95 milhões de litros enviados para o exterior, resultando em US$ 17,07 milhões em receita.
A cachaça, originada nos engenhos de cana-de-açúcar, está profundamente enraizada na história e nas tradições do Brasil, conquistando espaço na música e na literatura. Recentemente, o setor passou por uma transformação, com um aumento na oferta de produtos premium e envelhecidos, que estão se tornando populares em bares e restaurantes. Essa mudança começou a se intensificar nos anos 1990, quando esforços para valorizar a cachaça levaram à profissionalização da bebida.
Segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil contava em 2025 com 1.538 estabelecimentos produtores registrados, distribuídos em 844 municípios. Apesar do crescimento interno, as exportações de cachaça ainda são pequenas quando comparadas a outros destilados, como a tequila, cujas exportações somaram US$ 4,3 bilhões no mesmo ano.
Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), destaca que a cachaça ainda é uma “promessa” no mercado internacional. Ele afirma que para aumentar a presença da bebida fora do Brasil, é necessário investir em promoção, distribuição e conscientização dos consumidores sobre o produto.
Embora o mercado brasileiro esteja se diversificando com cachaças de maior qualidade, a cachaça tradicional continua a ter um papel importante, especialmente em preparos clássicos como a caipirinha. O IBRAC estima que o segmento premium representa menos de 10% do mercado, embora não exista um número exato.
O maior desafio enfrentado pela cachaça no exterior é a necessidade de se desvincular da imagem limitada de ser apenas um ingrediente da caipirinha. Bastos acredita que a cachaça destina entre 1% e 3% de sua produção para o mercado externo, com a maioria das estimativas apontando para cerca de 1%.
Além disso, a informalidade na produção e a alta carga tributária são obstáculos que o setor precisa enfrentar. O IBRAC defende uma reforma na tributação que considere a quantidade de álcool presente em vez de categorizar as bebidas.
A promoção internacional da cachaça está em andamento, com o IBRAC, em parceria com a ApexBrasil, desenvolvendo um projeto que inclui ações em mercados como México e Alemanha. A construção de uma identidade global para a cachaça ainda está em desenvolvimento, e para que a bebida alcance seu potencial no exterior, é fundamental que o setor se organize internamente e profissionalize suas operações.





