PF destrói dragas de R$ 4 milhões em operação contra garimpo no Madeira
Foto: Mais Rondonia (maisrondonia.com.br)
por Redação Rondônia Hoje
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A Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) destruíram dragas avaliadas em mais de R$ 4 milhões cada durante uma operação contra o garimpo ilegal no rio Madeira, em Porto Velho, na última sexta-feira (30). As dragas eram utilizadas para a extração clandestina de ouro e operavam sem as devidas autorizações ambientais e minerais.
A ação faz parte da segunda fase da Operação Nêmesis, realizada em um trecho do rio Madeira a cerca de 27 quilômetros acima da barragem da Usina Hidrelétrica de Jirau. Além das dragas, os agentes apreenderam armas de fogo e equipamentos usados na queima do amálgama, um método para separar o ouro de outros materiais, que contava com vestígios de mercúrio, uma substância altamente prejudicial ao meio ambiente.
A fiscalização se concentrou em embarcações que atuavam em áreas não autorizadas para exploração mineral. A PF cruzou a localização das dragas com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM), constatando que os locais fiscalizados não possuíam Permissão de Lavra Garimpeira nem licenciamento ambiental. Imagens de satélite mostraram, desde abril de 2023, uma concentração crescente de dragas na região irregular, que mudaram de posição ao longo do tempo, mas continuaram fora das áreas autorizadas.

Antes da destruição das dragas, a equipe recolheu o mercúrio e outras substâncias perigosas presentes nos equipamentos, evitando que esses contaminantes fossem despejados no rio. O material apreendido será destinado de forma ambientalmente adequada. A PF justificou a inutilização das dragas pela impossibilidade de transporte, dado que a localização dificultava o reboque e não havia espaço para armazenamento.
A operação se fundamenta no artigo 111 do Decreto nº 6.514/2008, que permite a destruição de equipamentos em situações que comprometem a segurança e o meio ambiente, como no caso das dragas.
O uso de mercúrio na extração ilegal de ouro é um dos principais riscos ambientais associados a essa atividade, já que a substância pode contaminar a água e o ar, além de acumular-se nos peixes, afetando comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem do rio Madeira. A legislação brasileira restringe o uso de mercúrio, e o país tem compromissos internacionais para reduzir e eliminar essa prática, conforme a Convenção de Minamata.
A PF está buscando não apenas os responsáveis pela operação das dragas, mas também quem financia essa atividade, organiza a logística e fornece mercúrio e outros insumos. O objetivo é desmantelar toda a estrutura econômica por trás do garimpo clandestino no rio Madeira.
Com informações de Mais Rondonia.







