Educação e conscientização são essenciais para prevenir a violência contra mulheres
Foto: MPRO / Rondonia Agora
por Redação Rondônia Hoje
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A violência contra mulheres e meninas pode se manifestar de diversas formas, desde agressões físicas até comportamentos abusivos sutis, como controle excessivo e humilhações. Para abordar essa questão, o projeto “Maria da Penha Vai à Escola”, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), tem como objetivo levar a discussão sobre a violência de gênero ao ambiente escolar, promovendo a conscientização e a educação desde cedo.
A psicóloga Julyana Pereira Bishop Camata destaca que muitos jovens confundem comportamentos abusivos, como ciúmes excessivos e controle sobre a vida social, com amor e carinho. Nesse contexto, a educação desempenha um papel fundamental, envolvendo não apenas a escola, mas também a família e a comunidade na construção de relações baseadas no respeito e na igualdade.
Os adolescentes aprendem sobre relacionamentos em diferentes ambientes, e a escola pode ser um espaço de diálogo e reflexão. Julyana aponta que é crucial abordar temas adequados a cada faixa etária, começando pela educação sobre direitos individuais na infância, passando pela discussão de emoções e estereótipos na pré-adolescência, até chegar a questões mais complexas como consentimento e violência nas relações na adolescência.

A legislação brasileira, com a Lei Federal nº 14.164/2021, já determina a inclusão de conteúdos sobre a prevenção da violência contra a mulher nos currículos escolares e institui a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, realizada anualmente em março. Maricélia do Lago, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia, enfatiza a necessidade de um trabalho contínuo nas escolas, com a formação adequada dos educadores e participação ativa das famílias.
Os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 revelam que Rondônia registrou uma taxa de 2,9 feminicídios por 100 mil mulheres em 2025, o que reforça a urgência de ações educativas e preventivas. No âmbito das escolas, projetos como o “Agosto Lilás” utilizam a arte, como teatro e cinema, para discutir a violência de forma mais acessível e envolvente, permitindo que os estudantes reflitam sobre comportamentos socialmente aceitos que podem ser prejudiciais.
Além das atividades pedagógicas, o MPRO realiza palestras, oficinas e distribui materiais educativos para sensibilizar os alunos sobre diferentes formas de violência, desde a física até a psicológica. Em 2024, mais de 2.235 alunos participaram de ações em 30 instituições de ensino em Rondônia.
A atuação integrada de instituições de proteção, como o Conselho Tutelar e o MPRO, é fundamental para identificar e acolher vítimas de violência. Ana Paula Lima Brito da Silva, conselheira tutelar, ressalta que a escola é um espaço privilegiado para detectar sinais de sofrimento e promover a proteção de crianças e adolescentes.
A prevenção da violência contra mulheres e meninas é um esforço coletivo que envolve educação, diálogo e acesso a informações. É necessário garantir que as novas gerações cresçam entendendo que o respeito é fundamental e que comportamentos abusivos não devem ser tolerados. O trabalho contínuo em escolas e comunidades é essencial para construir um futuro onde meninas e mulheres possam viver com autonomia e segurança.
Com informações de Rondonia Agora.








