Desigualdade política: mulheres em Rondônia enfrentam barreiras ao voto
Foto: Arquivo Nacional / Rondonia Agora
por Redação Rondônia Hoje
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O voto feminino no Brasil, conquistado em 1932, não se reflete na representatividade política das mulheres, que ainda enfrentam barreiras significativas para ocupar espaços de poder. Em Rondônia, onde as mulheres constituem 51,58% do eleitorado, com 653.593 eleitoras aptas para as eleições de 2026, a participação delas nos cargos eletivos é alarmantemente baixa. Nas últimas eleições estaduais, apenas três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa e três das oito vagas na Câmara dos Deputados foram conquistadas por mulheres. Além disso, as duas vagas do Senado Federal e os cargos de governador e vice-governador foram ocupados por homens.
Essa disparidade não se limita ao número de cadeiras ocupadas; ela se estende às condições enfrentadas por mulheres na política. Liliane Rodrigues, uma representante de partido em Rondônia, compartilha sua experiência sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam para serem ouvidas e respeitadas: “É exaustivo ter que reafirmar constantemente a nossa capacidade”, afirma, ressaltando o machismo presente nas relações políticas que tenta silenciar e desmerecer as decisões femininas.
A violência política de gênero, que inclui comportamentos discriminatórios e tentativas de silenciamento, é uma questão preocupante. De acordo com Glauco Maldonado Martins, coordenador eleitoral do Ministério Público de Rondônia (MPRO), essa forma de violência é muitas vezes invisibilizada, dificultando o reconhecimento e a denúncia por parte das vítimas. Ele explica que não se deve confundir divergências políticas com violência, mas atitudes que desqualificam mulheres são uma manifestação desse problema.

A legislação brasileira tipifica a violência política de gênero, e o artigo 326-B do Código Eleitoral prevê penalidades para condutas que envolvam discriminação contra candidatas ou detentoras de mandatos. Entretanto, o reconhecimento de situações de violência é complexo e exige uma análise contextual.
Em uma pesquisa com sete mulheres eleitas em Rondônia, quatro relataram ter sofrido discriminação por serem mulheres, enquanto seis se sentiram apenas parcialmente seguras em suas funções. As condições de apoio e recursos oferecidos pelos partidos também foram questionadas, com a maioria das participantes avaliando que a igualdade é apenas parcial ou inexistente.
A participação feminina na política é impactada por várias barreiras, incluindo financiamento e apoio dos partidos. Maria Vitória Araújo, especialista em Poder Legislativo, enfatiza a necessidade de criar condições para que mulheres de diferentes espectros ideológicos possam disputar eleições em igualdade de condições.
As redes sociais têm se mostrado um espaço valioso para a participação política feminina, permitindo que mulheres expressem suas opiniões e construam suas narrativas. No entanto, essa visibilidade também traz riscos, como ataques e ameaças. O jornalista Daivid Lira destaca a dualidade da internet, que promove a democratização da comunicação política, mas também expõe as mulheres a violência e discriminação.
O reconhecimento da violência política de gênero ainda está em desenvolvimento, com o MPRO buscando aumentar a conscientização sobre o tema. Até o momento, foram registrados três relatos de violência política de gênero durante as eleições de 2026 em Rondônia, mas a falta de denúncias e o medo de retaliação dificultam a compreensão da amplitude do problema.
A experiência de Liliane Rodrigues, que sofreu violência sexual durante a campanha, ilustra a necessidade de uma rede de apoio eficaz para mulheres que denunciam violência. Sua luta por justiça e a busca por condições mais seguras para as mulheres na política evidenciam a importância de um sistema que não apenas reconheça, mas também proteja as mulheres em sua participação política.
A luta pela igualdade de gênero no campo político em Rondônia é um reflexo da necessidade de uma sociedade que não apenas reconheça os direitos das mulheres, mas que também ofereça as condições necessárias para que esses direitos sejam exercidos com liberdade e segurança.
Com informações de Rondonia Agora.








