Estudo revela impacto emocional em idosas com câncer de mama
Foto: Brasil (cnnbrasil.com.br)
por Redação Rondônia Hoje
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Um estudo recente revelou que uma em cada seis mulheres na pós-menopausa enfrenta sofrimento emocional persistente durante o tratamento hormonal após o diagnóstico de câncer de mama. A pesquisa, intitulada “Angústia relatada pela paciente e fatores correlacionados durante a terapia endócrina adjuvante após o tratamento do câncer de mama em mulheres pós-menopáusicas”, foi publicada em junho de 2026 na revista Nature.
A análise se concentrou em mulheres acima de 55 anos que passaram por tratamento para câncer de mama com receptores hormonais positivos em um centro oncológico acadêmico localizado na região Centro-Oeste dos Estados Unidos, entre 2014 e 2019. As participantes estavam em tratamento endócrino adjuvante, uma terapia destinada a reduzir o risco de recorrência da doença após o tratamento inicial.
Os resultados indicam que, embora a maioria das mulheres não tenha relatado sofrimento emocional significativo, uma parte delas apresentou dificuldades persistentes ao longo do acompanhamento. Segundo a psicóloga clínica Maria Eduarda Fernandes Rocha, o diagnóstico de câncer pode gerar inseguranças e medos, especialmente nas mulheres mais maduras, que também enfrentam a perda de autonomia e mudanças em suas rotinas.

“Em mulheres idosas, essas reações podem se somar à perda de autonomia e aos medos relacionados à finitude. O contexto de vida, a rede de apoio e a compreensão do diagnóstico são fatores que influenciam como cada mulher enfrenta a doença”, explica a especialista.
A psicóloga ressalta que a manifestação de medo, tristeza e insegurança diante do diagnóstico é compreensível e não necessariamente indica um transtorno mental. Contudo, ela alerta que é crucial que a família esteja atenta a sinais como isolamento social, perda de interesse em atividades, choro frequente e irritabilidade. “É importante que a família ofereça um espaço acolhedor para conversas, sem minimizar o sofrimento da paciente”, destaca.
Maria Eduarda também diferencia a tristeza após o diagnóstico de um quadro de depressão ou ansiedade, enfatizando que a avaliação clínica é complexa em pacientes com câncer de mama. “Sintomas como cansaço e alterações de humor podem estar relacionados tanto ao câncer quanto ao tratamento, dificultando a identificação de um transtorno mental”, afirma.
Kênia Ramos, psicóloga do grupo Mantevida, complementa que os efeitos colaterais do tratamento oncológico, como cansaço e alterações no sono, podem mascarar sintomas de depressão e ansiedade. Ela enfatiza a importância de uma avaliação integrada e individualizada, observando a evolução dos sintomas e o estado emocional da paciente.
Para mulheres idosas que enfrentam o câncer de mama enquanto lidam com outras condições de saúde, a avaliação integral é ainda mais crucial. “É fundamental considerar doenças preexistentes e medicamentos em uso, pois algumas condições clínicas podem intensificar alterações de humor e outras manifestações que precisam ser diferenciadas de um transtorno mental”, conclui Maria Eduarda. Assim, a comunicação entre profissionais de saúde é essencial para garantir um cuidado seguro e individualizado, priorizando a qualidade de vida e a autonomia da mulher.
Com informações de Brasil.







