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Brasil

Dia do Cerrado: legado de Guimarães Rosa e os riscos ao bioma

Dia do Cerrado: Guimarães Rosa denunciou riscos ao bioma, diz bióloga

por Redação Rondônia Hoje

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Dia do Cerrado: legado de Guimarães Rosa e os riscos ao bioma Neste Dia do Cerrado, saiba como Guimarães Rosa alertou sobre a devastação do bioma em suas obras literárias. Neste Dia Nacional do Cerrado, é essencial lembrar o alerta feito pelo renomado escritor João Guimarães Rosa em 1952, quando ele percorreu o Cerrado mineiro. Durante uma viagem de 240 quilômetros, ele registrou em cadernetas os impactos da exploração industrial, como a degradação causada pelas siderúrgicas na região.

Guimarães Rosa e sua conexão com o Cerrado

As anotações de Guimarães Rosa serviram de base para obras icônicas, como “Grande Sertão: Veredas” e “Corpo de Baile”, que completam 70 anos em 2023. A bióloga Mônica Meyer, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que o autor já percebia a presença do eucalipto e a devastação causada pela indústria. “Ele observou que o forno das siderúrgicas era alimentado com carvão do Cerrado, e hoje sabemos que o agronegócio também contribui para essa destruição”, afirma.

Um inventário da biodiversidade

Meyer ressalta que a viagem de Guimarães Rosa representa um “inventário do Cerrado” na década de 50, mostrando como a natureza se entrelaça com a cultura. O autor não trata o Cerrado apenas como um pano de fundo, mas como um verdadeiro personagem em suas obras. “A mensagem é clara: o ser humano não está separado da natureza, ele faz parte dela”, completa.

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Elementos da natureza nas obras

As descrições minuciosas do autor, como as do rio em Três Marias e da vegetação local, são fundamentais para entender a dinâmica do Cerrado. “Grande Sertão: Veredas” é descrito como um “romance aquático”, revelando como os protagonistas, Riobaldo e Diadorim, enfrentam as transformações do ambiente natural, que alterna entre períodos de chuva e seca.

Uma defesa sutil da natureza

Meyer argumenta que “Grande Sertão: Veredas” vai além de ser uma obra-prima da literatura em língua portuguesa; é também um manifesto em defesa do meio ambiente. Embora não faça um discurso explícito sobre conservação, a obra instiga os personagens a perceberem a beleza natural. Um exemplo é quando Diadorim apresenta a Riobaldo um passarinho chamado manuelzinho-da-crôa, que o protagonista nunca havia apreciado antes.

Uma enciclopédia do Cerrado

A rica tapeçaria de fauna e flora nas páginas de Guimarães Rosa convida o leitor a valorizar a natureza de maneira diferente, não como um recurso a ser explorado, mas como um organismo vivo. “Seus escritos são um material valioso para a educação ambiental, uma verdadeira enciclopédia do Cerrado”, conclui Meyer. Assim, neste Dia do Cerrado, é fundamental refletir sobre a mensagem de Guimarães Rosa e a necessidade urgente de preservar esse bioma vital, que continua enfrentando desafios significativos.

Classificação Indicativa: Livre

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