Paul McCartney compara fim dos Beatles a “demissão” e fala sobre adaptação
Foto: Hugo Gloss (hugogloss.uol.com.br)
por Redação Rondônia Hoje
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Paul McCartney compartilhou suas reflexões sobre o fim dos Beatles em 1970, durante uma conversa com o diretor Judd Apatow após a exibição do documentário “Man on the Run” em Los Angeles. O músico comparou a separação da banda à experiência de perder o único emprego que já teve, descrevendo o momento como “assustador”.
Na conversa, divulgada pela Variety, McCartney explicou como a saída dos Beatles fez com que ele tivesse que descobrir um novo caminho profissional. Ele destacou a dificuldade de lidar com a nova realidade, já que havia passado toda a sua vida adulta ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. “O que você faz depois dos Beatles? É como se você tivesse sido demitido”, afirmou. A criação da banda Wings, que surgiu em 1971, foi uma tentativa de encontrar um novo propósito musical.
Além do impacto na carreira, McCartney também enfrentou desafios em sua vida pessoal. Ele relatou que se mudou para a Escócia e, em meio a essa transição, começou a beber em excesso. “Foi como uma espécie de colapso mental. Ninguém ia me repreender por beber demais”, recordou. Contudo, ele destacou que o apoio de sua família, especialmente de seus filhos e de Linda McCartney, foi fundamental para a mudança de seu comportamento.
O cantor também revelou que foi particularmente difícil abandonar a dinâmica de grupo que tinha com os outros membros dos Beatles. “Acho que estar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo”, comentou. Inicialmente, McCartney considerou a ideia de criar músicas semelhantes às do grupo e reunir outros músicos, mas acabou rejeitando essa abordagem.
Em seus shows, McCartney resistiu a pedidos para incluir sucessos dos Beatles em seu repertório. Ele revelou que, mesmo diante da insistência de produtores para cantar “Yesterday”, sua resposta era negativa. O artista só começou a incluir as canções do quarteto após consolidar sua nova fase, especialmente após o sucesso de “Band on the Run” com o Wings.
A formação do Wings foi inspirada por uma apresentação de Johnny Cash na televisão, o que levou McCartney a convidar Linda para se juntar a ele no novo projeto. Apesar de não ter formação musical, ela aceitou a proposta, e juntos aprenderam a tocar e a fazer música. “Essa era a grande coisa: subimos os degraus juntos”, enfatizou McCartney, lembrando das críticas que enfrentaram na época.
Com o tempo, McCartney percebeu que a dinâmica do Wings não poderia ser igual à dos Beatles. Embora quisesse ser apenas mais um integrante, ele entendeu que precisava assumir a liderança criativa do grupo. “Eu queria simplesmente ser um cara igual aos outros, mas isso não funcionou”, concluiu.
A conversa com Apatow ocorreu após uma sessão especial do documentário “Man on the Run”, que revisita a trajetória de McCartney entre o fim dos Beatles e os anos de Wings, utilizando imagens de arquivo e depoimentos em voz, uma escolha elogiada pelo cantor.
Com informações de Hugo Gloss.









