Micotoxinas: impacto na produção agrícola e na saúde animal no Brasil
Foto: Brasil (cnnbrasil.com.br)
por Redação Rondônia Hoje
Publicado em
As micotoxinas, substâncias tóxicas geradas por fungos, representam um desafio significativo para a saúde animal e a produção agrícola no Brasil. Essas toxinas podem contaminar grãos e ingredientes vegetais utilizados na alimentação de animais e humanos, comprometendo a eficiência produtiva e aumentando os custos no agronegócio.
Recentemente, Augusto Heck, gerente da categoria de aditivos antimicotoxinas para a América Latina da DSM-Firmenich, apresentou dados preocupantes sobre a presença de micotoxinas no Brasil e na América Latina. Um levantamento realizado na primeira metade de 2026 analisou mais de 10 mil amostras e 60 mil análises, revelando um cenário elevado de risco para contaminação.
Os efeitos das micotoxinas não se limitam a doenças visíveis. Muitas vezes, os impactos ocorrem de forma subclínica, afetando a eficiência alimentar e a saúde dos animais sem manifestar sintomas evidentes. Isso pode resultar em maior consumo de ração e tempo para atingir o peso ideal, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.

O que são micotoxinas?
O termo “micotoxina” refere-se a substâncias produzidas por fungos, que podem ser encontradas em diversos ingredientes, como milho e trigo. A contaminação pode ocorrer tanto no campo quanto durante o armazenamento, e a presença da toxina não é visível a olho nu. Entre as micotoxinas mais preocupantes estão a aflatoxina, fumonisina, deoxinivalenol e zearalenona.
#### Principais micotoxinas
– Aflatoxina: Produzida principalmente por fungos do gênero Aspergillus, a aflatoxina pode causar danos ao fígado e é considerada carcinogênica. Em 2026, sua presença foi detectada em 44% das amostras analisadas na América Latina.
– Fumonisina: Com 71% de positividade nas amostras, a fumonisina está frequentemente associada ao milho. Ela pode causar problemas respiratórios em suínos e afetar a saúde de equinos.
– Deoxinivalenol (DON): Conhecida como vomitoxina, o DON pode reduzir o consumo de ração e prejudicar a absorção de nutrientes. Aproximadamente 50% das amostras analisadas apresentaram essa micotoxina.
– Zearalenona: Semelhante ao estrogênio, a zearalenona pode afetar a reprodução animal, apresentando 64% de positividade nas amostras analisadas.
Sensibilidade animal às micotoxinas
A sensibilidade às micotoxinas varia entre as espécies. Suínos e aves são os mais afetados, enquanto ruminantes tendem a ser menos sensíveis. Animais jovens e aqueles em fase reprodutiva exigem atenção especial.
Panorama global e impacto no Brasil
Atualmente, o Brasil enfrenta um cenário de risco elevado para micotoxinas. As condições climáticas, como o fenômeno de El Niño, podem agravar a situação, favorecendo a ocorrência de toxinas durante o cultivo e armazenamento. A falta de capacidade de armazenamento adequada contribui para o aumento da contaminação.
Mitigação e controle
Para minimizar os impactos das micotoxinas, é essencial implementar boas práticas agrícolas e monitorar as condições de armazenamento. Soluções como adsorventes e biotransformação podem ajudar a reduzir a toxicidade das micotoxinas já presentes. Além disso, o uso de biomarcadores sanguíneos e inteligência artificial pode auxiliar na detecção precoce de alterações fisiológicas nos animais.
Conclusão
As micotoxinas representam um desafio crescente para o agronegócio brasileiro, não apenas devido aos riscos à saúde animal, mas também pelo potencial impacto sobre o comércio internacional. A atenção às micotoxinas, especialmente nos contextos de exportação, é fundamental para garantir a qualidade dos produtos e a competitividade no mercado global.
Com informações de Brasil.







