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Cancelamentos se tornam mais rápidos e menos impactantes, afirmam especialistas

"Cancelamentos" duram menos e deixaram de ser sentença, dizem especialistas

Foto: Pedro Cards / Metropoles Entretenimento

por Redação Rondônia Hoje

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A cultura do cancelamento, fenômeno que se intensificou com o uso das redes sociais, está se tornando cada vez mais rápida e menos impactante, segundo especialistas. Exemplos recentes incluem a eliminação da cantora Karol Conká do Big Brother Brasil 21, em fevereiro de 2021, com 99,17% dos votos contra, e a repercussão negativa enfrentada por Viih Tube e Eliezer, ex-BBBs, após promoverem uma competição entre empregados domésticos.

Carol Govari, doutora em comunicação, explica que, embora o cancelamento não tenha perdido força, ele agora opera de maneira mais fragmentada e acelerada, frequentemente alimentado por perfis de fofoca e fandoms. “As mobilizações coletivas se tornaram mais comuns, mas os danos causados aos influenciadores e artistas não são mais tão duradouros”, afirma.

A situação de Viih Tube e Eliezer ilustra essa mudança. Apesar de críticas e um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para encerrar o reality show As Patroas, os dois não sofreram perdas significativas. Govari observa que a ideia de cancelamento como uma sentença definitiva está se enfraquecendo, embora disputas de reputação e pressão pública ainda sejam prevalentes.

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O conceito de “cultura do cancelamento” ganhou destaque em 2019, quando foi eleito a expressão do ano pelo dicionário australiano Macquarie. Uma pesquisa da YouGov em 2020 revelou que 50% dos americanos já haviam “cancelado” alguém. Maiara Orlandini, doutora em comunicação, destaca que a prática se tornou mais comum com a ascensão das redes sociais e a crescente presença de influenciadores digitais.

Segundo dados do IBGE, em 2025, 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais usaram a internet, um recorde histórico. Durante a pandemia de Covid-19, o tempo médio de uso das telas aumentou de 6,5 para 10,5 horas diárias, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A biblioteconomista Dulce Hirli sugere que a retomada da vida social após o pico da pandemia pode ter contribuído para a percepção de uma diminuição nos cancelamentos. “Conforme voltamos à rotina, notamos uma queda na intensidade desses episódios”, reflete.

Entretanto, os “rastros digitais” ainda persistem, como exemplificado pelo cantor MC Livinho, cuja acusação de racismo ressurgiu nas redes após uma apresentação, mostrando que publicações antigas podem trazer consequências a qualquer momento.

Por fim, um levantamento da YouGov em 2025 indicou que 51% dos americanos acreditam que a cultura do cancelamento já foi longe demais. Especialistas atribuem a rapidez das mobilizações à teoria da economia da atenção, onde a competição por visualizações e engajamento torna difícil manter o foco em um único episódio de cancelamento por muito tempo. “A banalização da palavra ‘cancelamento’ é um reflexo desse fenômeno”, conclui Govari.

Com informações de Metropoles Entretenimento.

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